Nota: texto originalmente escrito em 04/12/2004, antes, portanto, de meu ingresso no curso de História, sem as virtudes/vícios acadêmicas. Propositalmente sem alterações ou revisões, então, perdoem algum eventual excesso.
Analisando um curto período de nossa História, da Independência até a proclamação da República, podemos por amostragem ver como as mudanças no Brasil são de cunho conservador. Parece um paradoxo - pois conservador é avesso à mudanças por definição - mas é o que se pode apurar.
Vejamos: às estruturas conjuntarais que dominavam o Brasil Colônia era interessante continuar na condição de colônia portuguesa, mesmo estando já elevado ao status de Reino Unido a Portugal. A causa da independência, porém, já se tornava urgente não só pelo contexto local entre os vizinhos hispânicos, mas principalmente pela pressão dos ingleses. O rei D. João voltou a Portugal mas deixou seu filho, Pedro, como regente e antes de partir aconselhou seu filho a tomar a liderança do processo, caso realmente fosse deflagrado. Queria, com isto, garantir a permanência da Família Bragança no comando dos dois países. Já previa que o processo de independência era questão de tempo e não havia como voltar atrás. A independência, portanto, foi arranjada pela soma de forças da elite com o príncipe-regente e de forma a, mesmo alterando o status político, continuar a manutenção do antigo regime oligárquico, monocultural, elitista e escravista. Poucas pessoas detinham todo o poderio econômico, financeiro e político, não permitindo o acesso das camadas-base da população, como trabalhadores, operários e camponeses e até mesmo a classe média urbana - hoje decisiva para qualquer pleito eleitoral - participarem do processo de escolha e governança do país.
As decisões e o foco governista passam a figurar apenas na esfera central, o Rio de janeiro é a sede do Império e decide os rumos do resto da nação negando qualquer forma de autonomia provincial.
O Primeiro reinado foi marcado pela grande centralização de Dom Pedro, o que causava sua má popularidade e fama de habilidade em conseguir desafetos. No Segundo Reinado, Dom Pedro de Alcântara acabou instituindo o sistema parlamentarista. Mesmo sendo "à brasileira" mais uma vez mudava o modo de se governar mas justamente para a continuidade. A partir da implantação do parlamentarismo no Brasil, as decisões passaram a figurar mais nas mãos do Ministério e do Primeiro-Ministro do que propriamente do Imperador, que usava basicamente do Poder Moderador para intervir como árbitro entre os poderes, sujeitos aquele. Na realidade, a experiência parlamentarista brasileira foi considerada de um "parlamentarismo às avessas" uma vez em que ocorre ao contrário do modelo tradicional: enquanto nesse é o partido que mais elegeu representantes (e conseqüentemente o mais votado) é quem indica o primeiro ministro (ou seja, de baixo para cima) naquele é o Imperador quem escolhe o primeiro-Ministro e, caso ele não tenha maioria na Câmara, ela era sumariamente dissolvida e convocava-se novas eleições, normalmente marcadas por fraudes.
O jovem país mostrava sinais de conservadorismo, menos devido a Casa Imperial e mais ligados aos oligarcas, que queriam manter a todo custo seus privilégios. No primeiro reinado mais nitidamente, e no Segundo um pouco menos mas ainda assim presente, a mentalidade e o sistema colonialista permeneciam.
O Brasil, desde sempre, mostra sua vocação interesseira, antidemocrática e aristocrática. Tudo o que se houve de transformação neste país: Independência, o Absolutismo, O Parlamentarismo, a Proclamação da República e até mesmo a recente Redemocratização foram mais uma manobra política que sempre visou dar seqüência ao continuísmo, onde os velhos oligarcas mudavam para permanecerem os mesmos, com seus interesses devidamente preservados.Nunca houve um efetivo interesse em modernizar o país. Nunca nenhum líder pensou em preparar o país para o futuro, deixar um legado de mudanças estruturais verdadeiramente revolucionárias. O poder da aristocracia ditou e dita nossos destinos.
Excetuando-se a Revolução Praieira, em Pernambuco, nenhuma outra teve caráter verdadeiramente ideológico popular. Todas defendiam interesses de grupos locais em rivalidades internas ou contra o domínio da capital. Na Praieira, um cunho socialista foi o mote de todo o movimento. Sem sucesso, infelizmente. Pelo menos numa parte deste continente, bem antes de Cuba, talvez tivéssemos a primeira experiência socialista das Américas... Um país independente que poderia servir de exemplo para o resto do continente.Nunca saberemos se seria exitosa ou não. O Império Brasileiro, em nome da "unidade a qualquer custo" não permitiu este passo importante.Tudo o que acontece hoje é reflexo, óbvio, de nossos antepassados. Quem lutou foi duramente reprimido. A população acostumou-se a ser apenas massa de manobra, nunca teve sequer a oportunidade de ter conhecimento, sendo assim, não tinha capacidade de discernir entre o bom e o ruim. Acostumou-se a ser massa de manobra, sem opinião própria e sem consciência plena do conceito de "cidadão".E é por isso que sempre fomos colônia. Gostamos disso, é nossa primeira vocação.
Mudamos para permanecer iguais.
Analisando um curto período de nossa História, da Independência até a proclamação da República, podemos por amostragem ver como as mudanças no Brasil são de cunho conservador. Parece um paradoxo - pois conservador é avesso à mudanças por definição - mas é o que se pode apurar.
Vejamos: às estruturas conjuntarais que dominavam o Brasil Colônia era interessante continuar na condição de colônia portuguesa, mesmo estando já elevado ao status de Reino Unido a Portugal. A causa da independência, porém, já se tornava urgente não só pelo contexto local entre os vizinhos hispânicos, mas principalmente pela pressão dos ingleses. O rei D. João voltou a Portugal mas deixou seu filho, Pedro, como regente e antes de partir aconselhou seu filho a tomar a liderança do processo, caso realmente fosse deflagrado. Queria, com isto, garantir a permanência da Família Bragança no comando dos dois países. Já previa que o processo de independência era questão de tempo e não havia como voltar atrás. A independência, portanto, foi arranjada pela soma de forças da elite com o príncipe-regente e de forma a, mesmo alterando o status político, continuar a manutenção do antigo regime oligárquico, monocultural, elitista e escravista. Poucas pessoas detinham todo o poderio econômico, financeiro e político, não permitindo o acesso das camadas-base da população, como trabalhadores, operários e camponeses e até mesmo a classe média urbana - hoje decisiva para qualquer pleito eleitoral - participarem do processo de escolha e governança do país.
As decisões e o foco governista passam a figurar apenas na esfera central, o Rio de janeiro é a sede do Império e decide os rumos do resto da nação negando qualquer forma de autonomia provincial.
O Primeiro reinado foi marcado pela grande centralização de Dom Pedro, o que causava sua má popularidade e fama de habilidade em conseguir desafetos. No Segundo Reinado, Dom Pedro de Alcântara acabou instituindo o sistema parlamentarista. Mesmo sendo "à brasileira" mais uma vez mudava o modo de se governar mas justamente para a continuidade. A partir da implantação do parlamentarismo no Brasil, as decisões passaram a figurar mais nas mãos do Ministério e do Primeiro-Ministro do que propriamente do Imperador, que usava basicamente do Poder Moderador para intervir como árbitro entre os poderes, sujeitos aquele. Na realidade, a experiência parlamentarista brasileira foi considerada de um "parlamentarismo às avessas" uma vez em que ocorre ao contrário do modelo tradicional: enquanto nesse é o partido que mais elegeu representantes (e conseqüentemente o mais votado) é quem indica o primeiro ministro (ou seja, de baixo para cima) naquele é o Imperador quem escolhe o primeiro-Ministro e, caso ele não tenha maioria na Câmara, ela era sumariamente dissolvida e convocava-se novas eleições, normalmente marcadas por fraudes.
O jovem país mostrava sinais de conservadorismo, menos devido a Casa Imperial e mais ligados aos oligarcas, que queriam manter a todo custo seus privilégios. No primeiro reinado mais nitidamente, e no Segundo um pouco menos mas ainda assim presente, a mentalidade e o sistema colonialista permeneciam.
O Brasil, desde sempre, mostra sua vocação interesseira, antidemocrática e aristocrática. Tudo o que se houve de transformação neste país: Independência, o Absolutismo, O Parlamentarismo, a Proclamação da República e até mesmo a recente Redemocratização foram mais uma manobra política que sempre visou dar seqüência ao continuísmo, onde os velhos oligarcas mudavam para permanecerem os mesmos, com seus interesses devidamente preservados.Nunca houve um efetivo interesse em modernizar o país. Nunca nenhum líder pensou em preparar o país para o futuro, deixar um legado de mudanças estruturais verdadeiramente revolucionárias. O poder da aristocracia ditou e dita nossos destinos.
Excetuando-se a Revolução Praieira, em Pernambuco, nenhuma outra teve caráter verdadeiramente ideológico popular. Todas defendiam interesses de grupos locais em rivalidades internas ou contra o domínio da capital. Na Praieira, um cunho socialista foi o mote de todo o movimento. Sem sucesso, infelizmente. Pelo menos numa parte deste continente, bem antes de Cuba, talvez tivéssemos a primeira experiência socialista das Américas... Um país independente que poderia servir de exemplo para o resto do continente.Nunca saberemos se seria exitosa ou não. O Império Brasileiro, em nome da "unidade a qualquer custo" não permitiu este passo importante.Tudo o que acontece hoje é reflexo, óbvio, de nossos antepassados. Quem lutou foi duramente reprimido. A população acostumou-se a ser apenas massa de manobra, nunca teve sequer a oportunidade de ter conhecimento, sendo assim, não tinha capacidade de discernir entre o bom e o ruim. Acostumou-se a ser massa de manobra, sem opinião própria e sem consciência plena do conceito de "cidadão".E é por isso que sempre fomos colônia. Gostamos disso, é nossa primeira vocação.
Mudamos para permanecer iguais.