terça-feira, 16 de outubro de 2007

História "oficial": um crime sem crimoso?

Quando se lê algum texto de história que se pretende (ou se vê) como inovador, de status diferenciado ou produzido por algum novo pop star da historiografia moderna, freqüentemente ele começa assim: "a historiografia oficial diz que..." ou então "segundo a historiografia tradicional..." e segue com uma teoria maravilhosa, inédita, uma visão nunca antes explorada e surpreendente, cheia de fatos e comprovações. Pena que, na maioria das vezes, nem é tão nova assim.
Parece uma onda de que o que realmente vale é o diferente, o inexplorado. Realmente, abordagens novas merecem todas as louvações, o problema é que estas são auto-louvações e, normalmente, pouco ou nada fundamentadas quanto o que separa esta nova abordagem da velha. Ou, não se traz nada de relevantemente novo, ou quando o pesquisador mostra esse novo esquece de apontar quem é, de fato, a historiografia tradicional. Até hoje, por exemplo, não lembro de apontamentos diretos de quem é que é, afinal de contas, o oficial ou tradicional. Não seria ruim ler "segundo a historiografia tradicional, como o(a) historiador(a) fulano(a), em suas obras X e Y..." Senão ficamos nessa exaltação de egos em que existe a figura do historiador-herói iluminado (ou iluminador) e do crime, mas não se conhece o criminoso. É possível que, daqui a cem anos, ainda se farão textos históricos que comecem com "contrariando a historiografia tradicional, o Brasil não foi descoberto por acaso..."
Sério?

Um comentário:

Thomás Gomes Gonçalves disse...

nao entendi nada do que vc escreveu, isso pq o assunto eh complexo, mas mto bom o jeito que escreves pois foste claro, parabéns pela escrita... nao fica te achando, ok?
mas verdade seja dita