Uma pergunta recorrente a todos que escrevemos sobre história é: Para quem escrevemos?
Um historiador que pretende ter sua obra reconhecida pelos seus pares, escreve um texto farto em pesquisa, robusto em número de páginas, exageradamente específico e detalhista ao nível atômico. Os títulos devem ter algo de pomposo e extenso, como "representação e imaginário: o lúdico nos infantes luso-brasileiros no sub-distrito de Cafundós de Dentro no biênio 1935-36" Pergunto: quem lê? Tudo bem, alguns defensores desta super-especialização levantarão as vozes em defesa que esta pesquisa poderá ser útil para, digamos, o historiador da criança no século XX. Que seja. Mas quem lê, além dele?
Outra observação pertinente é quanto ao conteúdo. Historiador que escreve curiosidades, picuinhas, banalidades (mas de alto apelo e gosto popular, vide o sucesso e proliferação de revistas sobre história) é logo taxado de menor, raso. História factual, não nos interessa, torcem o nariz. Historiador bom é aquele que enxe de notas de rodapé, mil e uma referências, várias citações.
Enquanto historiador escrever apenas para a academia, insistindo em agradar aos pares e somente a eles, nunca passaremos seus muros (até agora intransponíveis). A história, seja ela do planeta, do país ou do bairro, é de propriedade de todos - letrados e iletrados- e seu acesso deve ser provido pelo historiador.
Enquanto isso, jornalistas escrevem best sellers que vendem como pão quente livros de...? História! E historiador reclama. Todo espaço deixado vago (por vontade própria ou ineficiência) é ocupado por quem quer ou pode.
É preciso repensar nossa maneira de escrever. E de quem queremos realmente atingir disseminando nossas pesquisas, nossos saberes, nossas histórias.
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